domingo, 2 de março de 2014

Novo vírus da gripe das aves contabiliza dois casos na China, um deles mortal


Há um novo vírus da gripe das aves a infectar humanos na China

Uma nova estirpe de vírus de gripe das aves, designada H10N8, que infectou até agora apenas duas pessoas na China, vitimando uma mulher de 73 anos enquanto uma outra se encontra hospitalizada em estado crítico, já está a preocupar os especialistas.

Há dias, as autoridades chinesas confirmaram um segundo caso humano de infecção pelo vírus da gripe das aves H10N8, que fora reportado pela primeira vez em Dezembro de 2013. E segundo uma análise genética do H10N8 vindo de uma amostra biológica da vítima mortal, publicada na revista médica The Lancet desta quarta-feira, o vírus é uma recombinação de outras estirpes de gripe das aves, incluindo uma, a H9N2, que é relativamente bem conhecida por infectar as aves de criação na China.

O novo vírus surgiu enquanto um outro vírus de gripe aviária frequentemente mortal, o H7N9, já infectou pelo menos 286 pessoas na China, Taiwan e Hong Kong, matando cerca de 60.

Mingbin Liu, do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da cidade de Nanchang, e colegas, escrevem ainda que aquela primeira vítima foi hospitalizada com febre e uma pneumonia grave a 30 de Novembro. E que, apesar de ter sido tratada com antibióticos e antivirais, o seu estado degradou-se rapidamente e morreu nove dias depois do início dos sintomas.

Uma investigação revelou que a mulher visitara um mercado de aves vivas uns dias antes de ficar doente. Porém, não foi encontrado qualquer vestígio de H10N8 nas amostras recolhidas naquele mercado e, portanto, a fonte da infecção permanece desconhecida.

Um dos aspectos preocupantes do novo vírus, segundo outro co-autor, Yuelong Shu, do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China, é que ele também possui, tal como o H7N9, “algumas características que lhe podem permitir replicar-se eficientemente nos humanos”.

Pelo seu lado, Mingbin Liu acrescenta que a emergência de um segundo caso humano de H10N8 numa mulher de 55 anos “é muito preocupante porque revela que este vírus tem continuado a circular e pode vir a causar mais infecções humanas no futuro”.

“É sempre preocupante quando um vírus atravessa a barreira entre as espécies, das aves ou de outros animais para os humanos, na medida em que é muito pouco provável que tenhamos previamente desenvolvido imunidade contra ele”, diz Jeremy Farrar, director do Wellcome Trust britânico e especialista da gripe, acrescentando que, este vírus apresenta de facto características que o tornam ainda mais preocupante.

fonte: Público

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Transmissão do vírus H7N9 entre humanos sem provas


Um responsável da Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou hoje não existirem provas que o vírus da gripe aviaria H7N9 esteja a ser transmitida entre pessoas na China, apesar de membros da mesma família terem adoecido com problemas respiratórios.

"Embora desconheçamos a fonte da infeção, neste momento não há provas de uma sustentada transmissão de humano para ser humano", disse Michael O'Leary, representante da OMS na China, citado pela agência France Press.

A preocupação surgiu em Xangai depois de dois filhos de uma das primeiras vítimas mortais do novo surto de gripe aviária terem contraído doenças respiratórias, mas as autoridades sanitárias chinesas negaram que os dois casos estejam relacionados com o vírus H7N9.

A OMS confirmou aquela avaliação.

"Os laços familiares levantam a possibilidade de uma transmissão de humano-para-humano, mas em ambos os casos isso não foi laboratorialmente confirmado", disse O'Leary.

O primeiro caso de contaminação de um ser humano pelo vírus H7N9 na China foi anunciado há apenas uma semana.

Desde então foram registados 21 casos, seis dos quais mortais, todos no leste da China, e em particular Xangai, onde ocorreram quatro das mortes.

O representante da OMS em Pequim elogiou a transparência das autoridades chinesas acerca do surto.

"Estamos muito satisfeitos e agradados com o nível de informação partilhado e acreditamos que temos sido plenamente informados e atualizados acerca da situação", disse O'Leary.


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

20 mortos devido a surto de gripe nos Estados Unidos



O governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo, decretou, este sábado, estado de emergência sanitária devido ao surto de gripe que atingiu mais de 19.000 pessoas naquele Estado norte-americano.

Andrew Cuomo autorizou ainda a administração de vacinas a bebés e crianças por farmacêuticos, iniciativa que surge um dia depois de as autoridades norte-americanas terem alertado que o surto se alastrou a todo o país e poderá durar ainda várias semanas a ser controlado.

Pelo menos 28.747 casos de gripe foram registados nos Estados Unidos durante este inverno, provocando a morte a 20 crianças, segundo os centros federais de controlo e prevenção de doenças.

Contudo, as autoridades estimam que o número de pessoas afetadas seja muito mais elevado, atendendo a que muitos pacientes não procuram um médico.

Na tentativa de conter a expansão de um vírus potencialmente mortal, o governador de Nova Iorque disse considerar ser extremamente importante suspender, nos próximos 30 dias, a regulamentação que dita que os farmacêuticos de Nova Iorque não podem vacinar os pacientes com menos de 18 anos.

"Estamos a enfrentar a pior epidemia de gripe desde meados de 2009 e o vírus está ativo em todo o Estado de Nova Iorque, com o registo de casos nos 57 condados e nos cinco bairros da cidade de Nova Iorque", afirmou Cuomo, num comunicado, citado pela AFP, em que explica porque decidiu decretar o estado de emergência.

No Estado de Nova Iorque, os casos de contágio por gripe subiram de 4.404 no anterior inverno para 19.128 no atual.

Na quinta-feira, as autoridades de Boston, capital do estado do Massachusetts (nordeste), também tinham declarado o estado de emergência sanitária por causa da propagação invulgar do vírus da gripe.


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Autoridades da Nova Zelândia alertam para nova epidemia de gripe A (H3N2)


As autoridades sanitárias da Nova Zelândia alertaram a população para a presença de uma epidemia de gripe A (H3N2), que causa febre alta, náuseas e alucinações e que pode ser tão perigosa como a de 2009, que matou 49 pessoas, informou hoje a imprensa local.

A cidade mais afetada é Christchurch, na ilha sul e com uma população de 370.000 pessoas, apesar de também haver registo de contágio em Auckland, na ilha norte.

No hospital de Christchurch foi criada uma zona especial, onde são tratados 60 doentes, sete deles em acompanhamento nos cuidados intensivos, segundo o diário "The New Zealand Hearald".

A vacina para as pessoas com sintomas, mulheres grávidas e maiores de 65 anos é grátis, mas as autoridades prevêem que a epidemia se propague a todo o país nas próximas semanas.

O virólogo Lance Jennings, do Hospital de Christchurch, explicou que este vírus da gripe A (H3N2) deriva da pandemia que surgiu em Hong Kong em 1968 e que este circulará pela Nova Zelanda até que a população alcance um nível de imunidade elevado.

fonte: RTP Noticias

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Gripe aviária mata mais de três milhões de aves


Cerca de 3,8 milhões de aves morreram no México e 9,3 milhões estão infetadas com gripe aviária em quintas de Jalisco, no oeste do país, informaram na terça-feira as autoridades mexicanas.

Os 3,8 milhões de aves morreram devido à gripe ou tiveram de ser abatidas para evitar a propagação do vírus e dos 16,5 milhões de aves que permanecem nos municípios de Tepatitlán e de Acatic, onde surgiu e epidemia a 18 de junho, 9,3 milhões contraíram o vírus, revelam os dados avançados pelas autoridades locais.

Estão a ser fabricadas 80 milhões de doses de vacinas para serem aplicadas a 40 milhões de aves numa primeira fase, a partir do final do mês.

Nas primeiras três semanas da epidemia, a morte de 2,5 milhões de aves causou perdas económicas de 50 milhões de dólares (40,6 milhões de euros) em vários setores de produção do México, que produz cerca de 2,5 milhões de toneladas de ovos e 1,2 milhões de toneladas de carne de aves por ano.


terça-feira, 26 de junho de 2012

Gripe das aves matou 15 vezes mais do que foi anunciado na altura


A pandemia da gripe das aves de 2009 pode ter matado 15 vezes mais pessoas do que os números apresentados na altura pela Organização Mundial da Saúde, avançou um estudo realizado por investigadores norte-americanos.

O estudo, divulgado esta terça-feira pela agência internacional de notícias Bloomberg, diz que o número de mortes causadas pela gripe das aves terá ultrapassado as 284 mil pessoas, sendo que a Organização Mundial de Saúde (OMS) apontava, em 2009, para 18.500 mortes.

O estudo sobre o impacto do vírus H1N1 em 2009 foi realizado por investigadores do centro norte-americano de Controlo e Prevenção de Doenças, com base em modelos matemáticos e casos reais, e publicado na revista médica "The Lancet Infectious Diseases".

Segundo o documento, mais de metade das mortes terá ocorrido no sudeste da Ásia e em África, uma percentagem que ultrapassa muito os 12% de casos mortais apontados pela OMS como estimativas para essas regiões.

A OMS foi criticada na altura por exagerar a ameaça de H1N1, tendo mesmo previsto, durante o surto, que o número final de mortes iria acabar por ser "indiscutivelmente maior" do que o registado.

"As mortes confirmadas em laboratório subestimam a mortalidade da gripe devido à falta de testes laboratoriais de rotina e às dificuldades na identificação de mortes relacionadas com a gripe", explicam os investigadores no estudo.

A presença do vírus H1N1 foi reportada em 214 países até agosto de 2010, quando a OMS declarou o fim da pandemia. Desde então tornou-se uma das três estirpes de gripe sazonal, que circulam em todo o mundo, causando infeções principalmente durante os meses de inverno.


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Publicado o último artigo sobre o vírus da gripe das aves modificado em laboratório

As aves são o repositório natural da gripe: foi nelas que surgiu o H5N1

As aves são o repositório natural da gripe: foi nelas que surgiu o H5N1 

Quem quiser produzir um vírus da gripe das aves capaz de ser potencialmente transmitido entre humanos tem uma nova receita. Está descrita nas oito páginas do artigo da equipa de Ron Fouchier, do Centro Médico Erasmus, em Roterdão, Holanda. O artigo é publicado esta sexta-feira na revista científica Science e mostra quais são as alterações necessárias no genoma do vírus H5N1, para passar a ser transmitido por via aérea entre mamíferos. Esta informação poderá ser o utensílio que as autoridades de saúde necessitavam para antecipar a próxima pandemia da gripe.

É preciso recuar até 1996 para contar esta história, quando o vírus da gripe das aves H5N1 foi, pela primeira vez, detectado num ganso na China. Um ano depois, vários surtos da doença afectaram criações de aves e surgiu a primeira vítima humana. Desde então, o H5N1 já infectou 606 pessoas e matou 357 em 15 países, desde a Indonésia até ao Egipto, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Esta percentagem de mortes é brutal. Em comparação, a gripe suína H1N1 de 2009 matou 0,01% dos infectados. 

É preciso estar-se em contacto próximo com uma ave infectada para acontecer a transmissão aos humanos. O H5N1 está adaptado às aves, nas pessoas só consegue reproduzir-se nos tecidos já perto dos pulmões, causando pneumonias e matando facilmente. Mas não infecta as vias respiratórias superiores e, por isso, não passa entre pessoas por gotículas que estão no ar - a condição necessária para surgir uma nova pandemia.

Em Setembro de 2001, duas equipas conseguiram, em laboratório, transformar o H5N1, de modo a ser transmitido por via aérea entre furões, os modelos favoritos para o estudo da gripe. Meses depois, a equipa de Yoshihiro Kawaoka, da Universidade de Wisconsin, nos EUA, apresentava à revista Nature um dos estudos para publicação, enquanto Fouchier enviava o seu manuscrito à Science, o que causou a maior polémica científica dos últimos meses. 

Vários críticos temiam que a descrição das experiências permitisse a produção de armas biológicas ou que um cientista de garagem provocasse a próxima pandemia. As autoridades, nomeadamente dos EUA e da Holanda, pediram que os estudos não fossem publicados. Em Janeiro, as equipas envolvidas neste tipo específico de estudo assinaram uma moratória, para que estas investigações parassem. Houve reuniões com a OMS e só recentemente foi permitido que, primeiro o artigo de Kawaoka e depois o de Fouchier, fossem publicados, com o argumento que estes dados podiam ajudar a combater uma pandemia. 

O artigo de Kawaoka saiu em Maio. O de Fouchier é mais arrojado e a sua publicação foi mais ponderada. Enquanto Kawaoka utilizou genes do H1N1, o vírus da gripe suína, para construir o vírus final H5N1 capaz de infectar furões pelo ar, a equipa holandesa provou que é possível atingir o mesmo objectivo só com alterações no vírus da gripe das aves.

"O objectivo foi compreender como é que o vírus da gripe das aves pode passar a ser transmitido entre mamíferos", explicou Fouchier, numa conferência de imprensa organizada pela Science. 

Os vírus são compostos por uma cápsula de proteínas que envolve material genético. Quando encontram a célula certa, injectam este material, ligando-se por uma espécie de "antena". Depois, a maquinaria celular é parasitada: multiplica o material genético do vírus e produz as suas proteínas. No fim, novos vírus libertam-se e vão atacar outras células. 

No vírus da gripe, esta "antena" é a proteína hemaglutinina (HA). Pode ter variações, como H1 ou H2. No H5N1, são pequenas alterações na hemaglutinina que permitem ao vírus infectar as células das vias respiratórias superiores em mamíferos.

Fouchier e os seus colegas foram olhar para a história das pandemias da gripe. Descobriram três mutações nesta proteína que levaram à emergência destes surtos e experimentaram fazer estas mutações no H5N1. 

O resultado não criou um vírus capaz de se transmitir pelo ar entre furões. Por isso, o passo seguinte foi infectar dez furões: infectaram o primeiro com o H5N1 mutado, deixaram a doença desenvolver-se, retiraram uma amostra de vírus e aplicaram-na num segundo furão, e assim sucessivamente. Este método permitiu que o vírus sofresse mutações. Quando chegaram ao décimo furão, os vírus tinham mutações diferentes. 

Alguns destes vírus conseguiram infectar outros furões pelo ar. "O H5N1 pode adquirir a capacidade de se transmitir pelo ar entre mamíferos, e mostrámos que o número mínimo de mutações é pelo menos cinco, mas certamente menos do que dez", garante Fouchier. Apesar de o novo vírus transmitido por via aérea não ter morto os furões, ninguém sabe o que acontecerá se um vírus destes surgir na natureza.Mas há um risco: duas destas mutações já aparecem frequentemente. No Egipto, as 168 pessoas que tiveram gripe das aves foram infectadas pelo H5N1 com uma destas mutações, embora a variação só esteja presente em parte dos vírus nas aves. 

Um segundo artigo da Science, que Fouchier também assina, tenta perceber qual é a probabilidade desta estirpe aparecer na natureza. Apesar de poder surgirum vírus pandémico, o estudo não consegue avaliar o grau de risco. É preciso saber mais e aprofundar a vigilância na natureza, para identificar a tempo se estas mutações estão a aparecer. Um dado interessante sobre os trabalhos de Fouchier e Kawaoka é que, mesmo que as mutações necessárias para tornar o H5N1 transmissível entre mamíferos não sejam iguais, causam o mesmo tipo de alterações no vírus. "É ainda preciso fazer muito para conhecer outras alterações [no vírus] que causem o mesmo efeito", disse Colin Russell ao PÚBLICO, outro autor do segundo artigo, da Universidade de Cambridge.

E isto leva-nos à discussão ética que atrasou a publicação dos artigos. Os laboratórios estão parados enquanto houver a moratória. Em Julho, vão discutir-se, em Nova Iorque, as condições a este tipo de ciência, para reduzir os seus riscos, o que poderá então pôr fim à moratória.

fonte: Público